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Voltar 18/11/2019 - PETRONOTÍCIAS

ENERGIA EÓLICA OFFSHORE

GERAÇÃO EÓLICA NO BRASIL DEVE CRESCER 3 GW POR ANO ATÉ 2029 E ABEEÓLICA DISCUTE SOBRE PARQUES OFFSHORE

18. NOV, 2019 0 COMENTÁRIOS

Por Davi de Souza (davi@petronoticias.com.br) –

elbiaO setor eólico brasileiro tem vivido anos positivos no Brasil, com um crescimento considerável da fonte dentro do parque de geração do país. E o cenário futuro também já parece promissor, conforme aponta a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Gannoum. Para os próximos dez anos, a estimativa é que a fonte deve crescer até 3 GW por ano, chegando a um total de 39,5 GW de capacidade instalada em 2029. Elbia diz, contudo, que o segmento poderia estar em um ritmo mais acelerado caso a economia brasileira estivesse mais aquecida. “Esperamos por essa retomada para que a fonte eólica possa crescer ainda mais”, afirmou. Ainda olhando para o futuro, a presidente da associação diz que outros assuntos estão sendo discutidos, como o uso de baterias para armazenar energia eólica e também a implantação de parques offshore. “O que estamos trabalhando agora, com o Ministério de Minas e Energia, com a EPE [Empresa de Pesquisa Energética] e com a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica], seriam os aspectos regulatórios para a entrada desses parques”, explicou.

Gostaria que começasse a nossa entrevista fazendo um balanço dos últimos anos do setor eólico no Brasil.

Neste ano, nós completamos 10 anos da realização do primeiro leilão competitivo de eólica. Os primeiros parques entraram em operação em 2011, quando o Brasil tinha 1 GW de potência instalada. Em 2019, nós completamos 15 GW. Desde 2009, a eólica vem participando dos leilões regulados, contratando 2 GW por ano, em média. Este número de 2 GW corresponde a, mais ou menos, 30% do mercado de energia no Brasil. A fonte alcançou uma posição muito importante em termos de contratação. E a cada ano nós instalamos esses cerca de 2 GW.

Neste ano também comemorando o fato da fonte ter alcançado o posto de segunda maior geradora de energia do país. A primeira ainda é a hidrelétrica. A fonte eólica também é a mais competitiva em termos de preços médios nos últimos leilões, desbancando até mesmo a fonte hidráulica. Então, hoje estamos em uma posição de participação na matriz em torno de 9% da capacidade instalada. E em geração de energia, nós alcançamos até 15% do Sistema Interligado Nacional.

Quais são as previsões de crescimento para o futuro?

Saiu recentemente o PDE [Plano Decenal de Expansão], que é o planejamento de expansão do governo. E a eólica vai crescer a uma taxa anual de cerca de 3 GW nos próximos três anos. Chegaremos a 2029 com 39,5 GW de capacidade instalada.

O setor colecionou, ao longo deste ano, alguns importantes feitos, como o recente recorde de geração instantânea no Nordeste, no último dia 13. Ao que se deve esse bom momento do segmento no país?

O motivo é que o Brasil dispõe de um dos melhores ventos do mundo para geração de energia eólica. Esse recurso natural, associado ao progresso tecnológico que a fonte teve nos últimos anos, fez com que a eólica se tornasse altamente competitiva no país. O Brasil é um país renovável, com tradição de hidrelétricas. Mas hoje, o Brasil está indo para outras fronteiras de geração de energia. Essa fronteira, seguramente, é a fonte eólica.

A ABEEólica já apontou, em outros momentos, a relação entre o crescimento da economia e o crescimento da fonte eólica do país. Gostaria que comentasse como se dá essa relação hoje.

O crescimento da demanda por energia está diretamente ligado ao crescimento da economia, que já está apresentando sinais de cansaço faz tempo. E não tivemos ainda essa retomada do crescimento econômico. O que esperamos é por essa retomada para que a fonte eólica possa crescer ainda mais. O nosso maior desafio hoje é o PIB. Só que independente do PIB, apesar da economia não estar crescendo, a fonte está seguindo uma trajetória de crescimento.

Existem questões regulatórias atualmente que possam ser apontadas como dificuldades ou desafios?

Não. Na realidade, não. Ao longo desses últimos oito anos, nós construímos um bom aparato regulatório para a fonte. O que está acontecendo nesse momento é uma mudança do próprio setor elétrico, a chamada modernização do setor elétrico. Nós estamos participando ativamente da discussão, com a tendência de abertura do mercado e de escolha para o consumidor. Mas isso, para nós, não é uma preocupação. É apenas um processo de mudança do qual estamos participando. Não modifica nossa perspectiva de posicionamento da fonte ao longo dos anos.

Quais serão as próximas ações da ABEEólica para ajudar a desenvolver novos negócios dentro do setor?

Parque eólico offshoreNós estamos chamando do que são as fronteiras da eólica no Brasil. Chegamos a esse estado de estabilidade e crescimento da fonte e da composição da indústria no país. Olhando para uma perspectiva futura, estamos trabalhando com armazenamento, verificando a questão das baterias e outras formas de armazenamento de energia para estabilizar ainda mais os contratos. Além disso, existe ainda a questão de parques híbridos, com fontes solar e eólica juntas, justamente para fazer esse hedge técnico de geração. Por fim, temos ainda a geração eólica offshore e o mercado livre.

Como está a aplicação de baterias em conjunto com a geração eólica aqui no Brasil?

Do ponto de vista técnico, não temos nenhum problema de aplicação. As baterias já estão sendo utilizadas em outros países, que geralmente fazem parques híbridos. Tecnicamente, não temos nenhum problema. A questão é o custo. As baterias ainda custam muito caro. E como a energia eólica é muito competitiva no Brasil, esperamos por uma redução de custo nessas tecnologias. E isso vai acontecer, porque a tecnologia está evoluindo e os preços estão caindo rapidamente.

E quanto à geração eólica offshore?

Já temos algumas empresas olhando para o mercado e alguns projetos prontos. O que estamos trabalhando agora, com o Ministério de Minas e Energia, com a EPE e com a Aneel, seriam os aspectos regulatórios para a entrada desses parques. Também estamos estudando os modelos de financiamento para ver o custo, que ainda é alto quando falamos de geração eólica offshore em comparação com outras fontes.


Fonte: Petronotícias, 18 nov. 2019

by vm2

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