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Voltar 16/12/2019 - Valor Econômico

Plano para montar uma bolsa de ações do setor no Brasil

Entre as metas traçadas para o próximo ano, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) elencou um plano para ampliar a atração de investimentos para o setor mineral do país. Para isso, o presidente do conselho administrativo da entidade, Wilson Brumer, disse ao Valor que o Ibram estuda trazer para o país uma estrutura de mercado de capitais dedicada ao setor. O modelo, segundo Brumer, seriam as bolsas do Canadá e da Austrália. São dois grandes países da mineração, onde o lançamento de ações, principalmente de empresas menores, as chamadas junior companies, são fatores que atraem investimentos. A bolsa canadense fica em Toronto e a Australian Stock Exchange (ASX) em Sidney.

“Estamos estudando como fazerisso. Mas, queremos ter isso estruturado até o primeiro semestre de 2020.Observamos como as empresas juniores de mineração procuram esses mercados paraconseguir tirar projetos do papel e muitas vezes, aqui no Brasil. Queremostrazer isso para o nosso mercado”, disse Brumer.

De acordo com o presidente doconselho diretor do Ibram, o Brasil é líder e está entre os grandes produtoresmundiais de alguns minerais, como nióbio, minério de ferro, vermiculita, grafita,bauxita e caulim, no entanto, é importador em outros, caso de cobre, enxofre,titânio, fosfato, zinco. E tem uma grande dependência de carvão metalúrgico,potássio e terras raras.

“É a oportunidade para criarmos acultura que têm esses dois países e poder desenvolver muitos projetos aqui pormeio de uma bolsa brasileira”, afirma Brumer, lembrando que vários tipos deinvestidores poderão aportar capital em projetos no país, como os fundos deinvestimentos.

Segundo dados das bolsascanadenses especializadas em mineração, a Toronto Stock Exchange (TSX) e TSXVenture Exchange, o volume negociado até 31 de outubro chegou a 35 bilhões dedólares canadenses e foram feitos 1.017 financiamentos. Em janeiro de 2018,essas duas bolsas, juntas, abrigavam 5.677 projetos de mineração no mundo.

As instituições fazem aindaoperações de venda antecipada de minério chamada de “streaming”. Isso, segundoAlexandre Sion, sócio do escritório Sion Advogados, especializado em direitoambiental e mineral, ajuda, principalmente as companhias menores a se financiare tirar os projetos do papel. “Essa modalidade tem impacto grande junto essasempresas, porque não têm capital e precisam se financiar para dar início aosseus projetos. Para se ter uma ideia, 59% dos financiamentos globais demineração em 2017, foram feitos pelas bolsas canadenses ”, disse.

Sion, no entanto, adverte que osucesso da bolsa canadense passa pela segurança jurídica naquele país. NoCanadá, de acordo com ele, o marco regulatório para mineração é claro. “No Brasil,para atrair esses investidores tem que ter uma estrutura jurídica que assegureesses recursos. O nosso modelo regulatório, principalmente com as normasambientais, traz insegurança para o investidor.”

O advogado ressaltou queatualmente, há várias regras ambientais no Brasil e isso pode ser um entravepara novos investimentos. “Mas, uma bolsa de investimentos no país pode fazercom que ocorra uma pressão para que as regras sejam mais claras e melhore oambiente de negócios”, acrescentou Sion.

Caso essa iniciativa saia dopapel, o Ibram espera aumentar, além dos investimentos no setor mineral, aprodução no país - não somente de minério de ferro. Até agora, segundo Brumer,estão previstos US$ 27,5 bilhões de aportes que serão aplicados em novos projetos,em segurança, e na operação das empresas já constituídas. Os recursos devem seraplicados até 2023.

 “A produção mineral até setembro deste anogerou uma receita de R$ 38 bilhões ante R$ 34 bilhões no mesmo período de 2018.Com novos investimentos, a expectativa é que aumente esses valores”, disseBrumer.


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