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Voltar 12/11/2019 - Informaq - edição 238 - Novembro de 2019

PALAVRA DO PRESIDENTE

Fatores para impulsionar o crescimento






As empresas industriais brasileiras, na sua maioria de pequeno e médio porte, têm como principal fonte de recursos os empréstimos bancários. Isto significa dizer que para um processo de retomada consistente do crescimento será preciso melhores condições de financiamento, tanto para o giro, como para a modernização ou ampliação das estruturas produtivas. Este processo indicará a velocidade dessa retomada. 

O alto spread cobrado pelo sistema bancário brasileiro torna o custo dos empréstimos elevado e contribui para o aumento no custo do capital. Ainda hoje, em níveis superiores ao retorno dos investimentos, o preço do capital se destaca como o principal elemento do “Custo Brasil”.

Uma ampliação da concorrência poderá estimular a queda dos spreads. Nesta direção, as iniciativas da Agenda BC# sugerem que novas tecnologias poderão contribuir para a redução do custo do crédito à medida que permitem maior disputa dos bancos tradicionais com operações virtuais (sem a necessidade de presença física).

Nossa expectativa é que mais medidas sejam tomadas na direção de reduzir os demais componentes dos spreads bancários. Juros baixos ampliam a capacidade de consumo das famílias e das empresas investirem. Juros baixos viabilizam os investimentos produtivos e alavancam projetos de infraestrutura. Juros baixos dão condições ao Brasil produzir, empregar, gerar renda e progredir.

No contexto doméstico, o Brasil está diante de um cenário que possibilita a continuidade de cortes na taxa básica de juros. Ainda que dados recentes apontem para uma recuperação gradual da atividade econômica, a ociosidade do consumo e da produção, acumulada pelos diversos anos de crise, indica que uma eventual pressão inflacionária está distante de ocorrer. No setor externo, o acordo parcial entre Estados Unidos e China, combinado com a redução da taxa de juros americana, tende a estabilizar o câmbio. 

Outro fator que abrirá espaço à novas reduções da taxa de juros básica é o andamento das reformas estruturantes do país. A votação da reforma da previdência teve um desfecho positivo, mas a principal parte das reformas complementares ao ajuste fiscal - àquela necessária para a melhoria da competitividade - com destaque à desejada reforma tributária, deverá ter sua discussão adiada. 

Espera-se, portanto, mais uma redução da taxa básica de juros neste ano, podendo chegar a 4,5% a.a., patamar historicamente baixo, ainda que distantes das praticadas por países desenvolvidos (abaixo de 2,5% a.a.) mas já equivalentes aos praticados pelas nações em desenvolvimento como China, Índia, África do Sul ou Indonésia. Tal nível de juros, além dos estímulos aos investimentos produtivos pela redução do custo de oportunidade, terá reflexos importantes também sobre o controle da dívida pública.

Eliminada assim a questão das elevadas taxas básicas, o desafio do Brasil agora está em reduzir os juros de mercado tomados pelas famílias e empresas. Inevitavelmente, isto passa pela forte redução dos spreads bancários. Dados do Banco Central do Brasil mostram que somente as quedas da taxa básica não estimularam a redução dos spreads bancários, que continuam entre os maiores do mundo sob a alegação de que a taxa de inadimplência continua elevada. Estamos trabalhando nessa direção.

João Carlos Marchesan - Presidente do Conselho de Administração ABIMAQ/SINDIMAQ
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