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Voltar 12/03/2020 - Informaq - edição 241 - Março de 2020

PALAVRA DO PRESIDENTE

O que precisamos para crescer





Após crescer a um ritmo chinês durante parte do século passado, especificamente da metade do século até o fim da década de 70, período no qual ocorreu o ciclo mais pesado de industrialização brasileira, a partir dos anos 80 ocorreu uma brusca reversão na trajetória de crescimento, em razão de desajustes internos da economia e adoção de planos econômicos e políticas equivocadas que levaram ao descontrole de inflação, câmbio apreciado e taxas de juros elevadas que anularam a competitividade do país.

Enquanto no mundo, os países que conseguiram alcançar o seleto grupo de países desenvolvidos, como Japão, Coreia e Taiwan utilizavam como receita o apoio ao ganho de produtividade via juros baixos, câmbio depreciado e outras políticas de desenvolvimento tecnológico ao mesmo tempo em que investia pesadamente em infraestrutura, logística e educação de qualidade de modo que o modelo de desenvolvimento fosse evoluindo para a produção e exportação de produtos e serviços sofisticados e complexos. No Brasil a estratégia de desenvolvimento foi abandonada e o país não conseguiu evoluir ao estágio onde atividades com elevado valor adicionado predominam na economia.

Hoje, com um quadro de juros básicos relativamente baixos, com a taxa de câmbio em um novo patamar, ações direcionadas ao ajuste fiscal das contas públicas, promessas de reformas estruturais e anúncios de programas que prometem a recuperação estrutural da economia, como o de Melhoria Contínua da Competitividade, lançado no final de 2019, ambicioso projeto gerido pela Secretária Especial de Competitividade e Produtividade do Ministério da Economia, que busca reduzir os custos adicionais incorridos nas empresas brasileiras em virtude de disparidades e assimetrias do ambiente de negócios em comparação a outros países e o Programa Brasil Mais, lançado neste início de 2020,  destinado a elevar os níveis de produtividade e de eficiência das empresas por meio de treinamento, consultorias e soluções para melhoria de gestão e inovação de processos, temos uma sinalização de que o Brasil poderá reiniciar o processo abandonado de desenvolvimento.

Há anos a ABIMAQ alerta a sociedade sobre os perigos da baixa produtividade e da falta de competitividade da economia brasileira. Se hoje o Produto Interno Bruto nacional ainda não consegue acompanhar o desempenho global e sua indústria de transformação, setor da economia capaz de estimular o desenvolvimento de serviços sofisticados, mantem um quadro de encolhimento, pode-se afirmar que estes fatores são parte da explicação.

O Brasil reduziu fortemente o seu estoque de bens de capital produtivo, seus investimentos na área de construção civil e em demais fatores necessários para a melhoria da produtividade e das suas taxas de crescimento. Diversos estudos mostram que para um país crescer a taxas anuais de 5%, sem riscos de pressão inflacionária, é necessário um investimento anual da ordem de 25% do PIB. O sistema de contas nacionais de 2019 ainda não foi publicado, mas dados preliminares indicam que pelo quarto ano consecutivo a taxa de investimento ficará na casa dos 15% do PIB.

A indústria de transformação, com forte potencial de alavancar as taxas de investimentos, promover o desenvolvimento econômico e o aumento da renda per capita, representava 20% do PIB no final da década de 70, hoje não corresponde a 11%. E diferentemente do que ocorreu nas nações desenvolvidas, cujo encolhimento relativo veio acompanhado da expansão do desenvolvimento de serviços de alto valor agregado, no Brasil, a indústria cedeu espaço aos serviços pouco sofisticados, estacionando na condição de país de renda média.

Por isso tudo, o propósito do Ministério da Economia de ajustar os indicadores macroeconômicos, melhorar o ambiente de negócios e aumentar a produtividade do país, é uma iniciativa importante e que precisa ser encorajada e monitorada pela sociedade com exigências de resultados concretos, pois promete ser parte da caminhada rumo à reindustrialização assumida pelo Governo. Por outro lado, não se espera que assimetrias acumuladas durante décadas sejam anuladas em um único mandato, é primordial, portanto, que a Lei de Competitividade proposta na ocasião do lançamento do Programa de Melhoria Contínua da Competitividade, seja também perseguida com afinco nesta gestão.

No mundo cada vez mais competitivo, onde diversos governos de países já desenvolvidos reconhecem a necessidade de políticas de produtividade, de desenvolvimento tecnológico e à inovação, ninguém esperaria algo diferente do que tem sido anunciado e foi expresso publicamente pelo então Ministro da Economia e cujas palavras ficarão registradas neste editorial. “Nós vamos reindustrializar o Brasil. Essa é a luta! Vamos fazer a revolução 4.0. Perdemos as revoluções industriais anteriores, mas esta nós não vamos perder”.

João Carlos Marchesan - Presidente do Conselho de Administração ABIMAQ/SINDIMAQ
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